Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.

sábado, 1 de julho de 2017

Noites

Pede para fazer chichi. É pequenina e em cima do sapo ainda parece mais pequenina. Mas diz para eu me ir embora. Consegue fazer sozinha. Quando vou ter com ela e lhe pergunto se ja fez chichi ou cocó, sorri e ri-se orgulhosa. É um sorriso muito delicado, muito feminino e muito malandro. Os olhos sorriem também. Fez um grande chichi. Quando sai não quer a fralda e vai muito rapidamente sala fora para os seus afazeres. Fico a olhar para seu rabinho redondo que acompanha o ritmo das suas pernas, esquerda, direita, esquerda, direita. Prometo-lhe Este fim-de-semana vamos comprar cuequinhas para a Rita. Sorri mais uma vez, aquele sorriso tão bonito, tão malandro. Mais tarde volta a não querer comer a sopa. Mas está com fome, quer uvas. Rita, podes comer as uvas que quiseres, mas tens de comer a sopa primeiro. Ela deita-se no chão a chorar. Fico quase a chorar também. Não faço ideia se estou a fazer bem ou mal em insistir tanto nos legumes. Penso que ela gosta da sopa, que não a come só por uma questão de atitude. Penso que eu insisto na sopa não por ser saudável mas só por uma questão de atitude. A birra acalma mas ela ainda está deitada, com as costas frias do contacto com o chão. Abraço-a com muita forca e quase que choro. Subimos sozinhas para a sala e ela come a sopa ao meu colo. Depois vamos para a cama, fazemos um piquenique de uvas e pão. Está tão feliz. Abana a cabeça de felicidade e faz abanar os seus caracóis loiros. É tão leve, ela. Eu abano o meu cabelo liso, castanho escuro, pesado. Ela ri muito e eu fico comovida. No banho tenta lavar-me os dentes. E a seguir adormece nos meus braços. Quando o Manuel entra no berço dela, ela dá um grito. Já brincou muito hoje e está cansada, quer dormir. Eu rio-me e fico comovida.