Manuel: Oh, mãe, mas ela mentiu!!
Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
sábado, 19 de dezembro de 2020
Jantar
Hoje ao jantar, para além dos comentários impacientes habituais (Rita, ainda não comeste nada da sopa! Manuel, não voltes a levantar-te da mesa!), ouvi as suas reflexões, os seus pensamentos. Estivemos verdadeiramente juntos e soube mesmo a Natal.
Manuel: Mãe, quem é que foi a primeira pessoa a existir no mundo?
Rita: Foi o Pai Natal.
Manuel:... e de quem é que era filho?
Rita: Foi o Pai Natal, Manel...
Eu, sem saber quem abordar primeiro, mas tentando primeiro o caminho mais consensual: Meus filhos, no Natal celebramos o nascimento de quem?
Os dois juntos:... do menino Jesus!!
Eu: Exacto. Portanto, antes do menino Jesus não havia Pai Natal e já havia pessoas, certo?
Manuel: Sim, o Viriato.
Numa segunda instância:
Rita: Mãe, se nunca ninguém viu o Pai Natal, como é que sabemos que ele é gordo, veste - se de vermelho e tem uma barba branca?
Eu: Boa pergunta...
Manuel: A fada dos dentes conhece o Pai Natal. As criaturas mágicas conhecem-se umas às outras. Mas também nunca ninguém viu a fada dos dentes.
Eu: Se calhar deixou alguma vez uma fotografia dele como presente de Natal.
Rita: É, acho que deve ter sido isso. Deixou uma fotografia dele. Não achas, Manel?
Pensativo, o Manuel não respondeu.
Mas os três concluímos que não podemos esquecer de deixar os biscoitos e o copo de leite... Não vá ele ser magrinho e estar cheio de fome.
A Sara concordou.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Mães...
Depois de um encontrao contra a cómoda...
Pedro: Manuel, magoaste-te muito?Manuel, choroso : Sim, muito. Quero fazer um RX mas a mãe não deixa!!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
Poesia
Rita: Mãe, tenho mesmo de fechar a janela do carro?
Eu: É melhor querida, vamos começar a andar mais depressa.
Rita: Que pena. Assim não dá para fechar os olhos e ouvir o vento a fazer abanar as folhas das árvores.
História de Portugal
Manuel: Mãe, o Infante Dom Henrique era tio-avô do Dom João II, não era?
Eu (5 minutos depois...): Exacto!
domingo, 6 de dezembro de 2020
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Profissões
Manuel: Mãe...
Eu: Sim...?
Manuel: Pode ser-se médico e santo?
Eu: Sim, querido.
Manuel : E construtor e santo?
Eu: Também, meu amor.
Na semana seguinte..
Manuel: Mãe, afinal santo não é uma profissão!
Eu: De facto, não é, não. Não se recebe dinheiro por se ser santo.
Manuel, com ar entendido : Pois, é como ser jogador de futebol.
... não conhece lá nem si mas fecha os olhos e sorri... (A bailarina, Cecília Meireles)
Rita: Mãe, nesta parte da música fecho os olhos enquanto canto. Sabes porquê?
Eu: Porquê, minha querida?
Rita: Porque me sinto tãããão bonita!!
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
História e rimas
A uma pergunta do meu filho, começo a discursar sobre o pouco que sei de História. E, portanto, a ilustre geração, é como ficaram conhecidos os filhos de Dom Dinis... Mããããe... Não é Dom Dinis!!!!!! É Dom João!!!!!! interrompe o meu filho de 6 anos indignado. Oh, meu amor, desculpa... Digo eu enquanto dou a curva apertada no carro que nos inclina a todos primeiro para a esquerda, depois para a direita. É que Mestre de Avis rima com Dom Dinis, percebes? Rimam... Insisto eu e dou uma sincera gargalhada que nos desemboca em plena segunda circular. A minha filha Rita ri comigo, as suas gargalhadas a encherem de música o carro inteiro. O Uvas, o carro maluco, que nos emprestaram em troca da nossa querida Shasha ferida. À noite a Rita ainda se ri das rimas da mãe, que misturam gerações com centenas de anos de diferença. Mas o Manuel, habitualmente tão brincalhão, não se ri. Sente o peso da História, sobre o seu corpinho pequeno e delicado e a sua mente tão rica e infinita.
sábado, 8 de agosto de 2020
Vacinas
Rita - Onde estão a mãe e o Manel pai?
Pai - estão no centro de saúde. O Manel teve de ir levar as vacinas dos 6 anos.
Rita- são picas?
Pai - sim
Rita - não quero fazer 6 anos, está bem pai?
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Rita
(determinada) Eu VOU comer mas não gosto NADA
Pedro: Rita, porque pões sempre os sapatos ao contrário?
Rita: Porque ADORO!!!!!!
sábado, 25 de julho de 2020
Votação
Pedro : Vamos ver um kazoops.
Manuel : Não. Vamos ver um superwings. A Rita e eu queremos ver um super wings e tu queres ver um kazoops. - dois votos contra um voto. Ganhamos nós.
Pedro : A Sara, a mãe e eu queremos ver um kazoops. Três votos contra dois. Vamos ver um kazoops.
Manuel: Ora bolas!
quarta-feira, 22 de julho de 2020
Sempre juntinhos
Digo - lhes, enquanto os deito numa cama, a Sara ao meu colo, de cada lado, o Manuel e a Rita...
Que feliz que estou por estarmos todos juntos.
O meu filho pergunta-me se vamos todos viver na mesma estrela quando morrermos.
Fico comovida.
Sim, claro que sim.
Sempre juntinhos.
Super - herói
Manuel: Toda a gente vai morrer.
Rita : Não é verdade. O pai NUNCA vai morrer.
Manuel : Vai, vai. Porque TODAS as pessoas vão morrer.
Rita: Não vai, não. Pois não, mãe?
Rita : O pai sabe TUDO.
Manuel : Não sabe TUDO... Mas sabe muita coisa.
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Crescendo
Os nossos filhos estão tão crescidos. Há uns meses, o Manuel enfrentou pela primeira vez o medo que tinha em descer até à eira de bicicleta. Agora enfrentou a dificuldade física imposta pela subida no mesmo percurso. Admite que é difícil, mas não desiste. Persiste e chega ao topo exuasto mas feliz, orgulhoso, crescido. Depois faz a descida a sorrir, com o vento a bater na cara, os pés a descansarem nos pedais parados. Faz a descida aproveitando cada bocadinho, a descida que há poucos meses o assustava tanto, agora transformada num merecido descanso. A Rita, muito rápida e corajosa, vai atrás do mano. A sua bicicleta é mais pequena, mas ela levanta-se, pedala em pé e quase que chega ao topo como o Manuel. Durante toda aquela suboda, só precisa, só precisa, só precisa... de um empurrinho. Pu favô, pai. E chega ao topo também!
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Palácio Real de Mafra
Manuel: É... O meu avô tem muitos animais de estimação: águias, mochos, falcões, peixes...
domingo, 10 de maio de 2020
Memórias
Nunca sabemos o que nos vai marcar, o que vamos recordar, guardar, relembrar por vezes vezes sem conta, o que vamos esquecer, quão depressa o vamos fazer.
Nem porquê.
O que irão os meus filhos recordar quando estiverem a deitar os próprios filhos? Quais destes momentos em família os farão sorrir, ressentir, duvidar, encorajar, reconfortar em noites de ventania como a de hoje?
Olhem a árvore, meninos. Vejam como abana. Está frio, diz a Rita e enrola os bracinhos em redor de si mesma, apertados. Não, corrige o Manuel. Está frio lá fora. E sublinha o lá fora. Aqui dentro está quentinho. Abraço-os. Numa noite de ventania como esta, irá este abraço, escondido, esquecido nos anos que vão passar, ainda assim ter força para os aquecer?
O Manuel tem uma memória gigante, com espaço para muita informação, muitos momentos e milhões de pequenos detalhes.
Algumas memórias recorrem, insistem, vêm tocar mais uma vez à porta da consciência dele e ele, uma vez mais, e mais uma vez já longe da hora de deitar, pergunta: Mãe, aquele senhor que encontraram congelado, era um nómada? Refere-se ao Otzi, um homem encontrado nos alpes nos anos 90, morto há mais de 5000 anos. Não sei, meu querido. Não sei mesmo. Talvez fosse. Mãe, mas as pessoas não morrem no cemitério? Não, querido. As pessoas morrem nos mais variados sítios. Depois são enterradas no cemitério. Mas vivem para sempre no céu, não vivem? Sim, meu amor. Claro que sim, querido. Então quer dizer que o nómada está no céu? Não o conheci pessoalmente, mas certamente estará. E como é que ele morreu? Morreu porque congelou? Não tenho a certeza. Penso que morreu numa batalha. E por lá ficou na neve, acabou por congelar.
Já estou arrependida de toda esta conversa, não só pelo carácter mórbido que não estou certa de não o estar a traumatizar, mas também porque olho para o relógio e vejo que já são 11 da noite. Perco a paciência e acabo a história do homem congelado com um grito abafado, para não acordar as irmãs. Vá, acabou, agora. Vamos dormir. Não quero ouvir nem mais uma palavra.
Quero ficar em silêncio, mas desconcertada, acabo por perguntar Meu amor, que obsessão é esta pelo nómada. Mas quem é que te falou nele?
Ele abre a gaveta da sua gigantesca memória e informa-me.
Foste tu, mãe. Tu é que me contaste sobre o nómada congelado. Um dia quando eu estava a sair do banho, porque estava a ficar congelado.
Oh, céus.
Quanto daquilo que lhes digo (ou grito...) regressará para os assustar?
Meu filho, nao te preocupes. Se voltares a ficar muito tempo no banho, nunca irás congelar. Transformas-te simplesmente em peixe.
Mããããe....
Quantas memórias nossas voltarão para os fazer sorrir?
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Escola arco-íris
Professora Sofia: Então quem é que conhece os meses do ano?
Rita: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril...
Professora Sofia: Mas, Rita, como sabes tudo isso?
Rita: É que eu não sou a Rita.
Professora Sofia: Ah, não?
Rita: Não. Sou a mãe da Rita. A Rita hoje não pode vir. Está doente. E trouxe a minha bebé. Está aqui ao lado a dormir. Vês?
Professora Sofia: Então quem é que conhece os meses do ano?
Rita: Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira...
Professora Sofia: Rita...
Rita: É que eu não sou a Rita.
Professora Sofia: Ah, não?
Rita: Não. Sou a gatinha da Rita. A Kiki.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Um dia bom
A Rita: foi um dia bom, não foi? Eu... a pensar que tinha sido um dia péssimo e sem perceber se ela estava a mostrar este optimismo vespertino precisamente por ter sido um dia péssimo. Para me testar. Para remediar. Para me animar. Antes de eu poder responder, o Manuel: Foi um dia bom, sim. Com tal convicção que perguntei incrédula. Mas o que é que correu bem hoje? E ele, sem hesitar, as luzes. Foi muito bom ver os animais com a lanterna na despensa às escuras. Suspirei, rendida. Sim, foi, Manuel. Foi, Rita. Foi mesmo bom.
domingo, 5 de abril de 2020
quinta-feira, 2 de abril de 2020
Amor de irmão
Mãe, pai, gosto mais da Sara do que de mim próprio.
Mãe, sabes uma coisa? Acho que a Sara, quando crescer, vai ser a menina mais linda do mundo.
segunda-feira, 30 de março de 2020
Era uma vez...
Pega num livro meu de entrevistas ao Woody Allen, folheia-o com um ar interessado durante cerca de 30 segundos e depois pergunta: "Oh, mãe. Sobre o que é que é este livro?" Fico feliz pelo inesperado interesse da minha filha sobre um livro meu e respondo-lhe orgulhosa que é sobre um senhor que faz filmes e no livro explica como faz os filmes. Mas ela não fica satisfeita. Diz-me, repreendendo-me, que não percebi a pergunta dela. Ignoro a reprovação dela e repito algo muito parecido com a minha primeira resposta. E acrescento: onde vai buscar as ideias, como escreve os textos, como escolhe os actores... Ela interrompe-me, determinada a esclarecer a sua pergunta que eu obviamente não estou a compreender: "Não, mãe, eu quero mesmo saber sobre o que é que é o livro." E, apontando com o dedinho lindo dela para a quantidade imensa de palavras, finaliza... "Quero saber onde, onde é que está o Era uma vez..."!
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
Segredos
Rita, sussurrando colada ao meu ouvido: Mãe.... Gosto muito de ti.
Eu: Oh, querida. Que bom. Obrigada.
Rita: E gosto muito do pai.
Eu: Oh, que bom.
Rita : E gosto muito da Sara. E gosto muito do Manuel.
Eu: Oh, minha querida, és tão bonita.
Rita: E (ainda a sussurrar) mãe...
Eu: Sim...?
Rita: E gosto muito de mim!!!
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Gelo
Eu: Rita, vai lá acima pedir ao pai para te lavar o nariz
Rita, enquanto desliza pelo quarto: Não posso. Estou com os patins e escorregam muito. Mãe, isto tudo (estica os braços apontando para os quatro cantos do quarto) é gelo.
Eu: Oh, querida, por favor vai lá.
Rita, resignada: Okay. Eu tiro os patins.
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Conversas da boa noite
Antes de adormecer, o Manuel embarca frequentemente em divagações filosóficas, poéticas, mágicas, surpreendentes, bonitas, assustadoras, abstractas, sensíveis.
Manuel: Pai, gostava que o tempo não passasse da mesma forma para toda a gente.
Pai: como assim, meu querido?
Manuel: Por exemplo... Eu gostava que a Sara já fosse mais crescida para poder falar com ela. Mas eu gostava de falar com ela enquanto eu ainda sou pequenino.
Ficamos sem saber o que dizer. E, invariavelmente, de pés firmes no chão e coração arrebatado, respondemos laconicamente...
Pai: Vá, dorme agora, meu amor. Sonhos lindos.
Não há problema!
Eu: Rita, não podes ir lá para fora com o cabelo molhado. Está mesmo muito frio.
Rita: Não há problema, mãe! Eu sou muito corajosa!
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