Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Um momento magico por dia.

Ao final do dia, nem sempre e fácil encontrar o momento magico do dia. Esta noite lembrei-me primeiro das birras, por exemplo, e só depois do banho da Rita. Ela a fazer como o irmão, a encher o copo, o pato, a beber a agua. Essa agua nao é para beber, Ritinha. E ela a rir-se para mim. Tao bonita. Tao magico. Momento magico de ontem: o Manuel a dançar com o avô. Outro momento magico de ontem: o Manuel a fazer o jogo do kiekeboe na loja dos casacos, a puxar a Ritinha para dentro do provedor de roupa para ela fazer o jogo com ele, ele tao pequenino a tapar-se a si e à irma com a cortina, um esforço muito grande mas gratificante. Kiekeboe! E o seu riso contagiante no final. Noutros dias tantos outros momentos magicos: o Manuel a limpar o nariz à mae e a rir-se de tal forma que quase acordava a Rita. A Ritinha a correr para o puff quando ouve o Manuel dizer é o mawaii!!, o que marca o inicio de um percurso obsessivo, e que é sempre o mesmo, pela sala e pela cozinha, de novo a sala e com final no puff ao lado da irma. O Manuel a cantar a musica do bebé, a musica das galinhas, a musica dos golfinhos, a musica da savana. A dizer muito alto a palavra savana, praticamente sem consonantes e abrindo muito a boca, a cara dele colada à nossa. Tao exagerado, o nosso bebé. A beber o leite da taca dos cereais e no final, ainda a ganhar fôlego, a dizer M-A-I? A Rita a ir a pé para todo o lado. Sozinha do elevador ate à bicicleta, o Manuel com birrinha ao colo, e ela muito orgulhosa e sorridente, pelo corredor. Estou bem, mamã, trata la do mano, que eu nao preciso de ajuda! Nós os dois, a comer pao com chocolate e sumo de laranja, rodeados de livros, sofás e chuva la fora.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Crescer

Os nossos bebés estão a crescer e nós também. O tempo não espera por ninguém. A Rita começou a andar e, de repente, já sabia subir e descer dos carros de brincar, comer sozinha e até beber agua do copo sem ajuda, ainda que com muita agua por todo o lado. O Manuel já se veste, dorme a noite toda, faz desenhos lindos, vai sozinho à casa-de-banho e conhece muito sobre muitos animais, letras e números. Nós próprios crescemos em tolerância um com o outro, connosco próprios e com os pequeninos. Crescemos em imaginação e em criatividade. E tornámo-nos mais fortes. Os meus filhos são as crianças mais bonitas e inteligentes do mundo. (A minha mãe dizia-me isso a mim e à minha irmã e nós crescemos com este segredo maravilhoso dentro de nós. Quando mais tarde descobri que não era verdade o que a minha mãe dizia, já eu própria me tinha tornado mais forte e segura, mais resistente aos tropeções da vida. Só agora, quando olho para os meus bebés, é que me ocorre que talvez a minha mãe estivesse a ser sincera. Talvez ela achasse que nós éramos, de facto, as meninas mais bonitas e inteligentes do mundo.) O Manuel é o menino mais bonito e inteligente do mundo. E também o mais querido. Foi um bebé muito desejado e foi o primeiro. Dormiu longas horas, longos meses ao colo e foi absolutamente adorado por pai e mãe, avós e avôs, tios, tias e sobrinhos e sobrinhas. Mas também sofreu por ser o primeiro filho. Sofreu a inaptidão de pais inexperientes, com pouco instinto no coração e muitos livros na cabeça. Passei tanto tempo sozinha com ele que tenho ideia que ficou igual a mim, mas mais inteligente e mais sensível e também mais bonito. Sempre adorou ler e é maluco por detalhes, por animais e pela natureza. Não liga muito aos outros meninos. Ofereci-lhe recentemente um livro sobre passarinhos. Não me quero esquecer nunca do seu sorriso ao descobrir o livro no sofa da 'boa-noite'. Chora bastante, sempre chorou, mas também tem o riso mais cristalino e sincero do mundo e, desde muito bebé, que tem ataques de riso deliciosos. E é também o menino mais feliz do mundo. A Ritinha é a bebé mais bonita e inteligente do mundo. E também a mais querida. Só descobrimos que a Rita existia quase no final do seu primeiro trimestre de vida. Na primeira eco que fizemos, para grande surpresa nossa, ja tinha braços e pernas e se mexia alegremente. Com um mes de vida, estava a voar de Lisboa para a Belgica e nunca deu trabalho. Não ha de ter sido bem assim, não foi de certeza, mas do que eu me lembro é que nunca chorou, sempre adormeceu sozinha, comeu bem e cresceu bem, sempre com os olhos postos no irmão. Gosta muito do pai e da mae, mas gosta mais do irmão. É muito desembaraçada e aprende tudo sozinha. Não liga nenhuma a livros. Adora aventuras e desafios. Atira os livros e os puzzels do irmão pelo ar que fica maluco e chora. Dá-lhe um livro para a mao como quem pede desculpa ou se calhar para o consolar. Poe a lingua um pouco de fora, quando se quer concentrar mais e fica ainda mais querida. Mesmo a atravessar a estante cheia de livros ou a atirar-se do sofa abaixo, é sempre muito delicada. E também a menina mais feliz do mundo. O Pedro e eu não somos tao bonitos nem tao inteligentes como os nossos pequeninos. Nem tao queridos. Mas somos os pais mais felizes do mundo.