Foi com o coração partido que desmontámos a casa de brincar dos pequeninos. Uma dor daquelas que dói baixinho no meio do peito apareceu logo no desenrascar do primeiro parafuso. Tínhamos decidido que era o melhor. Eles já não ligavam à casa. Íamos ter à mesma que desmontá-la para regressar a Lisboa dentro de uns meses. Era melhor assim. Mas, quando chegou o momento, tivemos pena e sofremos com aquele bocadinho de infância perdido.
Antes de nos deitarmos, pensámos nas lágrimas que iam ser vertidas na manhã seguinte e fizemos uma lista de explicações que apresentaríamos por ordem conforme o decurso da desilusão deles.
De manhã, dois coelhinhos bem dispostos saltaram para a nossa cama e, sem muitas demoras, foram para a sala para não se atrasarem na brincadeira matinal habitual. O Pedro e eu lembrámo-nos de repente da ausência grande e pesada da casa. Oh, não. Como iriam eles reagir?
Aguardámos as lágrimas, as birras, o gritos zangados. Mas só ouvimos a nossa Rita a descer pelas escadas abaixo, enquanto exclamava doida de felicidade: Mãe, Pai, venham ver, temos uma sala nova!!! Uma sala NO - VA!!!!