Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.

terça-feira, 8 de junho de 2021

Momentos

Desaparece à minha frente, correndo. Esquiva - se por entre os carros estacionados e por momentos deixo de o ver e arrependo - me de ter estacionado ali e não um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás. Desaparece, correndo muito depressa, muito magro, os ombros e as pernas como que pintados a pincel, por detrás de uma mochila gigante que ele fez questão de levar com ele, porque hoje em especial está a mostrar como consegue ser responsável, a raquete de ténis a baloiçar na mão. Deixo de o ver durante uns instantes, mas logo reaparece a cabeça dele e o braço esticado a digitar o código. Corre de novo para a porta, abre-a pousando todo o seu pequeno peso na porta grande. Não olha para trás. Esguio, entra para dentro do prédio e eu deixo de o ver. Na minha cabeça, imagino o resto do percurso.

Espero um minuto e ligo para o Pedro. Ouço os gritos de felicidade dele a entrar em casa.

O nosso super-herói :) 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Conversas

A propósito de uma pergunta existencial da minha filha Rita

    - Onde estava eu antes de estar na tua barriga?

respondo-lhe com convicção que

     - Estavas numa nuvem à espera de nascer.

e para que não tenha dúvidas sobre a segurança da sua existência, acrescento

     - O pai e a mãe sempre souberam que queriam ter três bebés, vocês os três: o Manuel, a Rita e a Sara.

Mas ela tem as suas ideias metafísicas próprias e não se demora em corrigir - me

       - Não, mãe. É assim: eu estava numa nuvem à olhar para baixo e precisava de um pai e de uma mãe e escolhi o pai e escolhi-te a ti e também o Manuel. 

É mais uma vez a minha linda Rita a emprestar - me o seu olhar sobre o mundo. Subo a uma cadeira, faço o pino e recebo grata este olhar que tanto me enriquece, em flexibilidade, tolerância, criatividade, inteligência e amor. Obrigada, minha querida.