Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.
segunda-feira, 7 de março de 2022
Felicidade
Saiu do banho e está em pé em cima da sanita. Estou a penteá-la e a pôr o creme, enquanto ouço as novidades do dia.
- Mãe, tenho boas e más notícias. Quais é que queres ouvir primeiro?
- Bom, as más, suponho... - hesito.
- Okay. As más, então: A Joana não quer ir para o judo.
- Certo - respondo-lhe, fazendo um ar grave.
- As boas notícias... - começa ela a dizer muito devagar, enquanto sorri - é que... - e, de repente, continua, mas agora muito depressa - quando estava no ténis, o professor pediu para atirar a bola e acertar dentro de um arco, mas eu atirei a bola com tanta força que a bola passou por cima do arco, por cima da vedação do campo, por cima dos pais que estavam a assistir à aula, por cima da outra vedação e entrou no campo de futebol lá ao lado - (é um campo de andebol...)
Desfaz-se numa explosão de gargalhadas, para se recompor três minutos mais tarde e continuar...
- O professor ficou.. - faz uma cara de espanto, com boca aberta, mãos abertas em gesto interrogativo
- E eu disse . Okay, professor. Se calhar, para a próxima vez, atiro com menos força!!
E desfaz-se, novamente, em gargalhadas.
- Estas foram as boas notícias? - pergunto eu, só para confirmar
- Sim - diz-me ela ainda a rir.
É tão bonita, tão feliz, tão espontânea, tão intensa. Abraço-a com muita força e sinto-me a mãe mais feliz do mundo.
Lógica própria
A Rita, que me lembre, sempre fez tudo ao contrário. Quero com isto dizer, que sempre fez tudo da forma mais original possível e o mais diferente possível do Pedro, de mim e do Manuel, também, que já cá andava há 16 meses quando a Rita nasceu. Dizem que todos os caminhos vão dar a Roma, mas aposto que nunca ninguém se lembrou de ir a Roma pelo caminho que a Rita escolheria se tivesse um dia de o fazer. E, aposto, chegaria lá.
Com a idade que a Sara tem agora, ou seja, por volta dos dois anos, já ela fazia puzzels de encaixe, girando a base em vez de girar a peça e fazia questão de calçar os sapatos, trocando o esquerdo com o direito, com as tiras de velcro cruzadas. Este exemplo dos sapatos não era um engano, não era imaturidade. Era propositado e consistente - nunca calçava os sapatos nos respectivos pés. Quando, há pouco tempo, o Pedro lhe perguntou porque tinha usado os sapatos ao contrário durante tantos anos, respondeu, sem hesitar: Porque adoooro!!! Os exemplos repetem-se quase indefinidamente, numa originalidade tão típica da nossa princesa G.I.Jane.
Com 6 aninhos, tem já um sentido de humor sofisticado, uma capacidade de argumentação admirável, está a aprender a ler e a contar e tudo, claro, com a sua lógica única, que nunca a deixa ficar mal. Porque, a verdade é que, contra todas as expectactivas, acaba sempre por funcionar.
Lembrei-me desta questão agora por a ver a jogar ténis com o casaco ao contrário, todos os botões disciplinadamente alinhados... a meio das costas... claro :)
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