No museu dos Coches:
"Manel, este coche era do Dom Joao V"
"É pai, era do tio João V"
Era uma vez uma família que tinha um blog. Podia ser o blog de uma família qualquer. Mas não era o blog de uma família qualquer. Era o blog de uma família que se chamava família Matos Silva Galvão Santos ou só família Galvão. Como todas as famílias, a família Galvao tinha muitas aventuras. E um dia lembraram-se de escrever algumas das suas aventuras neste blog. O tempo passa muito rapidamente, mas quando escrito, passa um bocadinho mais devagar e sabe bem ler e recordar.
sábado, 30 de dezembro de 2017
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Madrugadas
A urgência de brincar é muito grande. Vem de madrugada e não deixa o meu bebé dormir mais. A Rita há já um tempo que adormeceu na nossa cama. Ele quer ir lá para cima brincar, quero o pai, quer um copo de água. Convenço-o a ficar na sua própria cama em troca de uma história. Lembro-me de um livro que o meu pai costumava ler aos meus sobrinhos e plagio sem hesitar, mas substituo a girafa por uma avestruz. E como não me lembro dos pormenores, invento outros que me fazem rir e remato com uma moral adequada à situação. De vez em quando ele lembra-se desta história adaptada, que chegou uma madrugada para o adormecer mas, malandra, manteve-o acordado, entreteve-o, brincou com ele. Diz-me: o avestruz verde amarelo (chama-se verde mas é amarelo) faz chichi sentado e cocó de pé. E ri-se. É tão irresistivelmente genuíno, tão cheio de brincadeira que fico feliz por aquela madrugada ter chegado tão cedo.
domingo, 3 de dezembro de 2017
Sem empregada
A nossa empregada está de baixa há um mês.
A frase que ouço mais cá em casa é "Pões a louça na máquina e eu faço festinhas?"
A frase que ouço mais cá em casa é "Pões a louça na máquina e eu faço festinhas?"
Calendário do advento
O Manel tem um calendário do advento da schleich que no final permite construir uma quinta. A Rita tem um da Playmobil que são animais do bosque mais uma rena e um pai natal.
Os meus parabéns a quem conseguir explicar (sem haver choradeira pelo meio) a duas crianças de três e dois anos que só se pode abrir uma janelinha de cada vez...
Genes
Quando o Manel era (ainda mais) pequenino dizia "uai" em vez de água. A Rita sem nunca o ter ouvido diz "uá" em vez de água. Há algum gene metido nisto?
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Inteirinho no meu colo
A Rita adora festas, beijos, abraços, ser atirada ao ar, cair para cima de nós, dormir em cima de nós. O Manuel dormiu os primeiros três meses de vida ao nosso colo, nós sempre em pé ou sentados, com um medo neurótico do síndrome da morte súbita. Quando acordado, andava sempre no marsúpio porque gritava e esperneava no ovo. Durante 3 meses ele continuou a ser uma extensão nossa literalmente. Mas o tempo passou e ele cresceu. Cresceu sensível, bonito e feliz. Mas sem gostar de festas nem beijos nem abraços, odeia ser atirado ao ar, quando cai a brincar fá-lo com cuidado e odeia a possibilidade de dormir noutra cama que não a dele. Pede de vez em quando para dar a mão. Faz de vez em quando uma festinha. Dá à noite um abraço e deixa os braços pendurados moles no nosso pescoço sem nunca os apertar. Mas ontem, ontem coube inteirinho no meu colo. E foi ele que pediu :)
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Felicidade
Ela vem a correr para mim. Grita mamã e atira-se para cima de mim. Encosta a cara dela à minha e ri-se. Eu fico inundada em ranho, beijos e felicidade.
sábado, 21 de outubro de 2017
Hora de deitar
Pai: Quem quer ir para a caminha?
Manuel (enquanto acaba o puzzle): O crocodilo.
Rita: Neeeeeeeeeeeee
Tenho um pressentimento que não vai ser fácil...
Manuel (enquanto acaba o puzzle): O crocodilo.
Rita: Neeeeeeeeeeeee
Tenho um pressentimento que não vai ser fácil...
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Ditadora de "high fives"
Sempre que a nossa Ritinha não obtém imediatamente o desejado "high five", pega nas nossas mãos à força e cá vai disto. Ficar sem "high five" é que não...
10 anos é muito tempo
Manuel: O Manel tem 3 anos. O pai tem quantos?
Pai: Tem 35
Manuel (Depois de um riso desnecessariamente prolongado para a minha auto-estima): Não digas tontices pai... O pai tem 10. 10 anos!
Pai: Tem 35
Manuel (Depois de um riso desnecessariamente prolongado para a minha auto-estima): Não digas tontices pai... O pai tem 10. 10 anos!
sábado, 16 de setembro de 2017
Boa noite
Sentado no cadeirão enquanto canto o Moon River, imortalizado por Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany's, está a Rita aconchegada ao meu colo e a menos de 1 metro de distancia o Manuel com quem troco silenciosos e cúmplices olhares. A mãe já contou as histórias de boa noite, 3 evidentemente, estando por isso os pequeninos prontos para dormir. Os dois vão fechando progressivamente os olhos ao som da minha desafinada mas melódica voz, acabando por adormecer profundamente. Tenho a certeza que daqui a uns anos é assim que me vou lembrar da "boa noite".
Claro que menos romanceado teria de referir o facto da Rita se levantar 20 vezes antes de finalmente adormecer, do Manuel perguntar 20 vezes onde está o estrelinhas e de ambos pedirem 20 vezes, numa altura em que penso já estarem a sonhar, "o pai fica mais um bocadinho, sim?"
Os meus filhos preenchem-me de felicidade. Gosto de os deitar. Mesmo sendo por vezes desesperante, os carinhos trocados antes dos sonhos preenchem-me a alma.
https://www.youtube.com/watch?v=vkCYMhAr-_0
Claro que menos romanceado teria de referir o facto da Rita se levantar 20 vezes antes de finalmente adormecer, do Manuel perguntar 20 vezes onde está o estrelinhas e de ambos pedirem 20 vezes, numa altura em que penso já estarem a sonhar, "o pai fica mais um bocadinho, sim?"
Os meus filhos preenchem-me de felicidade. Gosto de os deitar. Mesmo sendo por vezes desesperante, os carinhos trocados antes dos sonhos preenchem-me a alma.
https://www.youtube.com/watch?v=vkCYMhAr-_0
sábado, 26 de agosto de 2017
Beijinho
Dou um beijinho à Rita mas, na minha trapalhice habitual, calculo mal à distância entre nós e bato com o nariz na cabeça dela. Faço um som surdo de dor. O Manuel está a fazer uns puzzels ao nosso lado. Vem ter comigo e põe-me a mão no ombro. Tens de ter cuidado, mamã. Dá-me um beijinho no nariz, tão suave que ainda agora o sinto. E repete: tens de ter cuidado, mamã. Volta para os puzzles. Passado uns segundos está de novo ao meu lado. Pronto, mamã, já passou. E, agora sim, regressa definitivamente aos puzzels.
O Manuel começou esta semana a gaguejar. Na nossa insegurança, receámos que fosse insegurança dele. Quando desenhou a família toda e ele próprio gigante a comparar connosco, respirámos de alívio. É um menino sensível mas muito feliz. Vai correr tudo bem.
sábado, 1 de julho de 2017
Noites
Pede para fazer chichi. É pequenina e em cima do sapo ainda parece mais pequenina. Mas diz para eu me ir embora. Consegue fazer sozinha. Quando vou ter com ela e lhe pergunto se ja fez chichi ou cocó, sorri e ri-se orgulhosa. É um sorriso muito delicado, muito feminino e muito malandro. Os olhos sorriem também. Fez um grande chichi. Quando sai não quer a fralda e vai muito rapidamente sala fora para os seus afazeres. Fico a olhar para seu rabinho redondo que acompanha o ritmo das suas pernas, esquerda, direita, esquerda, direita. Prometo-lhe Este fim-de-semana vamos comprar cuequinhas para a Rita. Sorri mais uma vez, aquele sorriso tão bonito, tão malandro. Mais tarde volta a não querer comer a sopa. Mas está com fome, quer uvas. Rita, podes comer as uvas que quiseres, mas tens de comer a sopa primeiro. Ela deita-se no chão a chorar. Fico quase a chorar também. Não faço ideia se estou a fazer bem ou mal em insistir tanto nos legumes. Penso que ela gosta da sopa, que não a come só por uma questão de atitude. Penso que eu insisto na sopa não por ser saudável mas só por uma questão de atitude. A birra acalma mas ela ainda está deitada, com as costas frias do contacto com o chão. Abraço-a com muita forca e quase que choro. Subimos sozinhas para a sala e ela come a sopa ao meu colo. Depois vamos para a cama, fazemos um piquenique de uvas e pão. Está tão feliz. Abana a cabeça de felicidade e faz abanar os seus caracóis loiros. É tão leve, ela. Eu abano o meu cabelo liso, castanho escuro, pesado. Ela ri muito e eu fico comovida. No banho tenta lavar-me os dentes. E a seguir adormece nos meus braços. Quando o Manuel entra no berço dela, ela dá um grito. Já brincou muito hoje e está cansada, quer dormir. Eu rio-me e fico comovida.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Noites
O pão do Manuel começa por ser um carro, depois um avião, um barco e quando volta a voar já é um helicóptero. No banho tenta lavar-me os dentes. Enquanto me faz uma festa no ombro, diz Não tem medo, mamã, não faz dói-dói. Quando sai do banho, cada um dos seus dedos é um animal. Abre a mão e anuncia: este é um koolmees, este um coelho, este um mocho, este o backsoon e este um chichiau. Eu não sei o que é um chichiau. Ele diz-me que é um animal que mora no jardim e come chichimigas. Penso em todos os animais que conheço que moram no jardim e que comem formigas. Faço cinco tentativas falhadas. Ele não fica triste nem zangado. Diz calmamente que não a cada um dos meus palpites. Mostra-me no livro da savana. O chichiau é um pardal. E diz o nome na perfeição. Quando vou desejar boa noite, cada um dos meus beijinhos é também um animal. Ele guarda um beijinho mamute numa mão, um beijinho elefante na outra mão. Dá-me um abraço. Eu saio do quarto e ele enfia-se no berço da Rita que ja dorme. Ela dá um grito. Ele sai assustado e volta para a cama dele. Há já um mês que todas as noites ele arrasta o berco da Rita e encosta-o à cama dele. Esta tarde demorou duas horas a adormecer, levou os livros, os quadros, as fotografias, os bonecos dele e da irmã, levou tudo e empilhou na cama dele onde ele próprio já mal cabia. Duas horas. Eu desesperei. Cansada, com muita vontade de chorar por não conseguir nem dormir nem ser tolerante ou divertida, lá arrumei tudo sem lhe falar. Ele acabou por adormecer e eu demorei quase duas horas a voltar a respirar serenamente. A conseguir serenamente desistir da minha sesta. Isso foi à tarde. Está agora deitado ler o livro da savana, perna cruzada. Digo-lhe Manuel, tenta descansar. Ele finge que dorme. Eu fico comovida.
sábado, 24 de junho de 2017
Luz
Espero saber crescer com os meus filhos. Às vezes, quando olho para eles, acho-os tão pequeninos. Os olhinhos, as bochechas, as boquinhas, tudo tão pequenino lado a lado, como estrelas pequeninas, pontinhos luzidios a brilhar no céu, os braços e pernas tão magros, parecem pauzinhos de apanhar e brincar no bosque. Olho para eles e acho-os tão pequeninos. E, no entanto, por dentro, são já enormes. São estrelas aqui ao nosso lado, a irradiar uma quantidade infinita de energia e personalidade. Quero muito educá-los, impor regras e brincadeiras acertadas, comida saudável e em horários regulares. Quero que comam sempre sopa. E que nao atirem os brinquedos pelo ar. Quero que cantem e não gritem. Quero que achem engraçado o que eu acho engraçado e que achem bonito aquilo que eu acho bonito. Eu com as minhas regras e eles com a sua luz que é imensa e inebriante. As minhas estrelas. Já lavei a louça. Vou estudar e, quando eles acordarem, vou hoje sem regras apreciar a sua luz.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Carro
O Manuel está mais uma vez a bater com o autocarro no camião. Os bonecos do autocarro voltaram a cair. Os quatro... Manuel, o autocarro é um pica-pau? Ele confirma as minhas suspeitas. Então pergunto se o camião é uma árvore. Ele fica entusiasmado. Sim, e já está aqui um grande buraco, o pica-pau fez um grande buraco, é uma toca. Entro no jogo divertida. Pego num carrinho do chão e digo E aqui vai um coelhinho que corra e salta e entra malandro dentro da toca do pica-pau! Não, mamã. Isso é um carro...
Pica-pau
O Manuel está a bater com o autocarro no camião de forma rítmica. Faz imenso barulho. Os bonecos do autocarro já caíram. Os quatro... Digo-lhe: Manuel, os brinquedos não são para brincar dessa forma. Podem estragar-se e fazem barulho que faz dor de cabeça. Ele pára espantado a olhar para mim. Mamã, é um pica pau.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
O nosso bebé Manuel começa a falar
1) Ritinha, quer uma bolachinha? B de bebé para a Ritinha!
2) Oh, não! Ah, assim, sim!
3) (cai a taça dos cereais com leite) Não fui eu! Foi o tigre de bengala!
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