Desaparece à minha frente, correndo. Esquiva - se por entre os carros estacionados e por momentos deixo de o ver e arrependo - me de ter estacionado ali e não um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás. Desaparece, correndo muito depressa, muito magro, os ombros e as pernas como que pintados a pincel, por detrás de uma mochila gigante que ele fez questão de levar com ele, porque hoje em especial está a mostrar como consegue ser responsável, a raquete de ténis a baloiçar na mão. Deixo de o ver durante uns instantes, mas logo reaparece a cabeça dele e o braço esticado a digitar o código. Corre de novo para a porta, abre-a pousando todo o seu pequeno peso na porta grande. Não olha para trás. Esguio, entra para dentro do prédio e eu deixo de o ver. Na minha cabeça, imagino o resto do percurso.
Espero um minuto e ligo para o Pedro. Ouço os gritos de felicidade dele a entrar em casa.
O nosso super-herói :)
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